29 de OUTUBRO, DIA MUNDIAL – MINHA HISTÓRIA

Quando eu recebi o diagnóstico da psoríase, não esperava que seria o tipo de coisa que mudaria minha vida pra sempre.
Tudo mudou, começando pela minha pele e depois pela maneira como eu me via e como me olhava no espelho. E a partir daí as pessoas passaram a me olhar diferente também e a nosso amor próprio dimiui a medida que as lesões da psoríase se espalhavam sobre minha pele.
Eu tinha apenas 12 anos e desde então a psoríase desafiou muito minha auto estima e a minha interação com outras pessoas se tornou um obstáculo tão grande que passei a escolher a solidão justamente para evitar os comentários preconceituosos, os olhares de reprovação e até mesmo as impiedodas piadas.
Lembro que minhas amigas da escola se afastaram com medo da psoríase ser contagiosa, e os meninos não queriam me namorar, e mesmo no verão de 40 graus do Brasil eu cobria meu corpo com roupas de inverno para esconder as lesões de psoríase.
Por razões como essa, pacientes com psoríase acabam se isolando, deixando de fazer as coisas que gostam só pra evitar a reprovação da sociedade, que na maioria nunca ouviu falar em Psoríase.
Ouvir críticas, ser zombado, ser rejeitado por causa de uma doença de pele é realmente devastador, principalmente quando se é criança ou adolescente. Eu chorei muitas vezes antes de entender que eu era diferente e que ser diferente causa certo impacto nas pessoas, seja pelo medo, seja pela curiosidade.
Só 15 anos depois do primeiro diagnóstico, com 27 anos, comecei a aceitar a psoríase.
O amadurecimento faz a gente entender que todo mundo é diferente, que todos temos um fardo a carregar e a psoríase era o meu. Comecei a ignorar esse padrão de beleza imposto pela mídia e passei a me sentir bonita, mesmo com a pele cheia de lesões.
Passei a me aceitar mais e não se importar tanto com os olhares e as risadas, aprendi a lidar com a discriminação e ignorar o preconceito.
Entendi que ao longo do meu caminho encontrarei pessoas legais e outras nem tanto, algumas abertas entender a minhas história e outras que ignoram completamente o que é ter uma doença crônica, difícil e tão estigmatizada quanto a psoríase.
Descobri que as coisas boas da vida estão muito além de que ter uma pele bonita, e quando aprendi a me amar, abri um espaço lindo no meu coração que permitiu deixar alguém me amar também, e foi assim que conheci meu marido, Alberto.
Finalmente compreendi que as pessoas tem apenas medo, justamente porque não conhecerem a psoríase. Assim elas acabam agindo mal. Nem sempre as palavras são para nos magoar, no fim é tudo medo e curiosidade. É isso que tento mostrar na Comunidade que criei em 2011 chamada AMIGOS COM PSORIASE que tem objetivo de acolher e informar pacientes com psoríase e artrite psoriásica. Pessoas como eu e você.
Há 7 anos o desafio aumentou e foi muito além da psoríase na pele. Com a artrite psoriásica passei a lidar com dores muitos fortes, além da dificuldade para me movimentar e andar. Por sorte hoje temos os medicamentos biológicos e foi o que me devolveu a saúde e qualidade de vida. Hoje estou bem e feliz e sem psoríase.
Então meus amigos, não desistam, psoríase tem tratamento, mas acima de tudo vocês precisam se amar de verdade, encontrar forças e não desistir !
Mas minha luta continua, meu principal objetivo hoje é ajudar outros pacientes, a conquistarem uma vida mais feliz e com mais saúde.
Thays Ciconi – fundadora do Amigos com Psoríase
Secretária, 42 anos, 30 anos com Psoríase
HOJE E O NOSSO DIA, dia de conscientizar sobre Psoríase, deixar claro QUE A DOENÇA NÃO E CONTAGIOSA E QUE TEM TRATAMENTO !
2020-10-30T09:53:22+00:00

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